Petrópolis - Teresópolis E-mail
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A travessia Petrópolis- Teresópolis, localizada na Serra dos Órgãos, é a mais tradicional do país, tem 30 km de beleza indiscutível. Praticamente todo o tempo, estaremos subindo ou descendo montanhas com visuais magníficos e para todos os lados onde se olha é um cartão postal.

 

1o dia ( 05/07/07)

Viagem de Campinas a Teresópolis de carro, por 6 horas, cerca de 700km. Chegamos depois da meia noite e não tínhamos nenhum hotel reservado pra ficar. Fomos parar lááá longe, num tipo de pensão muito feia e esquisita (melhor nem citar as referências), mas pro cansaço que estávamos, deu pra descansar bem o corpo e tomar um banho no dia seguinte.

 

2o dia (06/07/07)

Um banho matinal. Depois desse, o próximo banho seria daqui a 36 horas !! Planejamos deixar o carro em Teresópolis e ir de bus até Petrópolis, mas era feriado em Terê e nenhum estacionamento estava aberto. Fomos pra Petrópolis de carro, paramos perto do terminal de Itaipava, que é fácil chegar e é ponto de partida para os ônibus que vão pra entrada do parque. Deixamos o carro na Pousada Altenhaus, onde gentilmente nos deixaram colocar o carro enquanto estivéssemos na travessia, em lugar seguro, sem cobrar nada por isso. Foi lá que deixei cair o GPS, virado com a antena para baixo. Nããããããooo !! quebrei o GPS, provavelmente foi a antena. Não sei se ficava mais triste por não ter GPS pra nos guiar ou pelo desapontamento do Rê, que olhava pra ele como se fosse brinquedo quebrado... Com ou sem GPS tínhamos que seguir caminho, torcendo pra Deus nos guiar. Sabíamos que o primeiro dia era fácil pra navegar, com trilha bem batida e carta topográfica em mãos, seguimos adiante. A trilha já começa linda, com formações muito altas desde o início e vão aparecendo outras maravilhosas ao longo da travessia. Passamos pela Pedra do Queijo, e mais adiante, após 3h30 de caminhada, passamos pela Pedra do Ájax, um lugar onde há água e é possível acampar (mas é proibido).

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Por um bom trecho as subidas são suaves, até que se chega a subida da Isabeloca (dizem que é uma homenagem à Princesa Isabel, mas eu duvido que ela tenha subido aquilo!!), daí o bicho fica feio! Em compensação era a última do dia e no alto vemos os maravilhosos Castelos de Açu, iluminado por uma luz alaranjada do sol que estava quase para se pôr e ao fundo um céu azul lindo. Chegando lá, havia outras pessoas acampadas, às quais nos unimos. Em pouco tempo, a temperatura despencou, até porque esquentamos o corpo na subida e de repente paramos. Colocamos roupa sobre roupa, 3 blusas de moleton, 3 calças, 3 meias, gorro e luva – praticamente tudo o que tínhamos na mochila. Montamos a barraca e já nos preparamos pra fazer uma sopinha quente. Meu nariz ficou vermelho e os dedos do  pé ficaram anestesiados e duros de frio.

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Era uma escuridão quase completa se não fossem as luzes lindas da Baia de Guanabara que avistávamos lá de cima. Para minha surpresa ainda era 18:30h, mas aparentava ser umas 21h, de tão escuro e frio. Puxamos uma prosa com o pessoal que estava acampado lá, quase todos cariocas e 2 paulistanos. Pedimos pra Deus ajudar e ele ajudou! Mandou um Frei!! Junto dessas pessoas todas estava o Frei Júlio, um padre franciscano muito sex (sexagenário), de bem com a vida, que andava muito rápido, comemos poeira dele!


À noite, como tinha de ser, passamos frio! Por mais que estivéssemos usando camadas e mais camadas de roupas, trocado o saco de dormir por um um pouco mais quente (Quechua S10, ou seja, para temperaturas de 10o), dormido abraçados, mais uma vez passamos


frio!!  (para quem não sabe, leia o relato sobre a Trilha do Ouro). E não dava pra se encolher muito porque embaixo da barraca estava cheio de caroços de pedra e touceiras de mato. Ai ai... cada programa de esquimó! Teve alguém que contou que acordou no meio da noite com vontade de fazer xixi e não tinha como sair da barraca, aí teve a luminosa idéia de guardar o líquido numa lata de Nescau e jogar fora no dia seguinte (por sorte era homem, então tinha como mirar a latinha).

 

3o dia (07/07/07)

Acordamos antes do nascer do sol, com a cantoria de algumas pessoas e a voz alta de alguém que falava assim “Olha só que maneiro! congelou a barraca !!”. Congelou a barraca?? A nossa também!! As gotas de orvalho estavam congeladas  no tecido, meu tênis que ficou pra fora também, o mato também !! Vixe !! fez frio mesmo! Ainda bem que só descobrimos isso ao amanhecer.

Tiramos várias fotos da imensa beleza que é o nascer do sol na Serra dos Órgãos, enquanto isso, tomávamos um pouco de sol para esquentar. Recomendamos os Castelos de Açu para acampar, pois é local que tem água, a vista é linda e tem várias áreas planas para montar a barraca.

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 Hora de desmontar acampamento e preparar o café da manhã (leite com Nescau e granola). Antes disso, resolvi tomar um “banho” com lencinhos umedecidos, pois estava fazendo 24 horas do meu último banho e haveria um longo dia de trilhas pela frente (blerg! poderia se formar uma crosta de sujeira!).

Seguimos viagem com o pessoal que conhecemos e foi muito legal tê-los encontrado. Talvez sozinhos, iríamos ficar confusos em algumas trilhas pouco marcadas sobre a rocha e nos trechos de escalada.

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Dos Castelos de Açu, já dava pra ver uma série de montanhas que iríamos subir e descer. A impressão que dá, é que vai levar uns 30 dias pra chegar até o final da cadeia de montanhas. Mas garanto que um dia bem caminhado já é suficiente. Sobe e chegamos ao Morro do Marco, desce, tem o Vale do Paraíso – onde encontramos uma mata que parece as de contos de fadas, com nascente, musgos e trepadeiras nas árvores e uma bromelinha de uma cor rosa muito intensa. Sobe o Morro da Luva, desce por umas pedras com corrimão e um pouco mais adiante o elevador !! Em seguida o Morro do Dinossauro, donde se avista a lindíssima vista dos Gigantes, imensas formações rochosas que vale toda a viagem: Pedra do Sino, Garrafão e Dedo de Deus! Simplesmente divino! 

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Continuando a trilha, desce, sobe e desce e chega-se ao Vale das Antas, local também para acampamento e com um riozinho. Ficamos meia hora esperando o restante do grupo chegar, pois a essa hora, algumas pessoas já estavam cansadas ou doloridas. Depois subimos num trecho de vegetação fechada de folhas duras tipo cerrado,  e passamos pelo “Dorso da Baleia”. Descemos um trecho com corda e chegamos à trilha do Cavalinho.

Confesso que tive muito medo em vários trechos, porque tenho fobia de altura. O Renato precisou me dar a mão pra andar em certos lugares, ou voltar pra me buscar em outros em que eu havia travado. As outras pessoas parece que andaram numa boa. O “elevador” não tinha como subir de mãos dadas, tinha que ser sozinha mesmo. Não sei qual é a altura dele, pois não quis olhar. Simplesmente comecei a subir concentrada na troca de mãos e pés e pensando que certas coisas eu faço somente por amor ao Renato. Mas coisas piores viriam pela frente...

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Lá na frente, haveria o “Cavalinho”, numa trilha que sobe pela pedra do Sino, que já me deu medo só de olhar lá de baixo. Eu ficava pensando como é que alguém poderia ter coragem de subir por aquela fresta na montanha, e ainda pular uma pedra (que tem que ser pulada como se fosse montar num cavalo, por isso o nome) com um abismo bem à frente! Um pouco antes do Cavalinho, um trecho também estreito, difícil para descer com as mochilas. O pessoal preparou um esquema com cordas e as pessoas desceram uma a uma, sem mochilas. Na trilha da Pedra do Sino, outra escada de ferro, bem menor que o Elevador. Depois é só descida e chegamos ao Abrigo 4. Inicialmente, havíamos planejado de dormir aqui para continuar a trilha no dia seguinte, mas chegamos cedo ainda, por volta das 15h e achamos melhor continuar, até porque já estava muito lotado de gente. De lá até a Barreirinha, final da trilha, era só descida e bem aberta, uns 11 km. A trilha é fácil e dura umas 3 horas, mas um pouco monótona devido à paisagem muito repetitiva.

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Tão cansados, dormimos em Teresópolis no Hotel Várzea, no centro, o primeiro hotel construído na cidade, com quarto e banheiro espaçosos em estilo antigo (pagamos R$ 70,00 por casal, com café da manhã – recomendamos!). No dia seguinte pegamos bus pra Petrópolis, onde estava nosso carro. Terminamos mais uma aventura deliciosa!

 

AGRADECIMENTOS:

-Pousada Altenhaus (Petrópolis), onde deixamos o carro durante a travessia.Obrigada, Alfredo! Fone: (24) 2222-2859; e-mail: This e-mail address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it


RECOMENDAMOS:

-Site do IBAMA: http://www.ibama.gov.br/parnaso/

-Várzea Palace Hotel (Teresópolis), onde dormimos. Fone: (21)2742-0878, 2742-0757; e-mail: This e-mail address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it

 

NÃO RECOMENDAMOS:

-Quebrar GPS

-Saco de dormir que não esquenta muito


ÔNIBUS:

-De Petrópolis para a entrada do parque: do terminal Itaipava, pegar o 600 (Term. Correias) ou 700 (Itaipava), que vão para o terminal Correias. De lá, pegar o 611 (Bonfin)ou 616 (Pinheiral – este é bem melhor, pois pára pertinho da entrada do parque)

-De Terê p/ Petro: na rodoviária tem bus às 7h, 9h e 12h de manhã, os da tarde não sei os horários e o último da noite é às 19h. Passagem custa R$ 10,05. Fone rodoviária de Terê: (21)2742-2676

 

MAPAS:

Abaixo mapas dos trecho 1 e trecho 2 de nosso passeio. Também acrescentamos a carta original da região (IBGE) e o perfil altimétrico do percuro. Todas estas imagens são exibidas aqui no site em tamanho reduzido, porém você pode clicar sobre elas e no site do Flickr clicar na lupa para visualizar todas as opções de tamanho.

TRECHO 1:

Trecho 1

TRECHO 2:

Trecho2

CARTA ORIGINAL:

Carta_Itaipava _2715_4

ALTIMETRIA:

Altimetria

 


Mais detalhes sobre outras distâncias, veja no tracklog do GPS: (abaixo)

Faça download do tracklog no link Tracklog Petrópolis - Teresópolis (formato .gtm Trackmaker)

Veja as fotos no link http://www.flickr.com/photos/renato_galani/sets/72157600752944878/

 

 
Comments (3)
brasil
3 Tuesday, 14 December 2010 15:22
oi parabens pelo Blog. eu sou do Mexico e ja fiz minhas reservas em hoteis
pra estas ferias no Brasil e com certeza vou adorar as praias brasileras.
ate
Carta Topográfica
2 Friday, 28 May 2010 21:10
Olá Renan,

Legal que gostou, a idéia destes relatos é compartilhar informações que nós gostaríamos de achar antes de cada passeio.

Esta carta eu recebi de um colega, ele tinha a carta impressa original e scaneou por conta própria.

Não sei se vc viu, mas no link abaixo tem a carta em alta resolução:
http://www.flickr.com/photos/renato_galani/1098038122/sizes/o/

[]s
Renato Galani
Carta
1 Friday, 28 May 2010 08:30
Olá casal. Parabéns pelas fotos e relato, que estão muito bem feitos.
Bem, eu gostaria de perguntar aqui, onde conseguiram essa carta lá da região. Essa carta é a de Itaipava??
Além disso, essa carta é aquela que o IBGE vende pela loja virtual do site deles?? Pois, a qualidade dela é melhor do que as disponibilizadas por PDF, que são as cartas originais, mais antigas.

Abraços e boas viagens!!