Volta à Ilha Grande E-mail
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Volta à pé ao redor da ilha em 5 dias

A Ilha Grande localiza-se no litoral de Angra dos Reis, banhada por águas calmas que variam do verde ao azul, com 106 praias em seus 193 Km2 de litoral. Eu (Marianna) já estive lá outras 3 vezes antes desta viagem, mas sempre fazendo excursões voltadas a turistas menos aventureiros, conhecendo diversas praias por escunas. As praias e trilhas mais selvagens eu não conhecia e estes são grandes tesouros deste paraíso.

 

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OS AVENTUREIROS : Marianna e Renato (os mesmos de sempre!!)

Em 2007 percebi que estão dificultando um pouco a vida dos campistas. Em algumas praias não existem mais campings, em outras, proibiram os que ficavam próximos à praia. Camping selvagem não pode e durante o carnaval a fiscalização é intensa. Na praia do Aventureiro estavam fazendo controle pois havia um número máximo de pessoas que podiam entrar por dia. Duas praias, do Leste e do Sul são fechadas para turistas, a travessia delas é proibida. Se houver dúvidas quanto à legislação ambiental, é melhor entrar em contato com a FEEMA, que cuida do local.

Pelo pouco tempo que tínhamos precisamos fazer o contorno da ilha às pressas às vezes, sem conhecermos mais e melhor alguns lugares bonitos, ou não mergulhando,... Não dá pra fazer tudo em 5 dias, mas conseguimos encher nossos olhos, descansar nossa alma e cansar nosso corpo. Voltaremos novamente para completar a descrição deste relato com lugares novos e igualmente lindos!

 

1o dia – sábado, 17/02/07 dia1

Abraão – Palmas

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Saímos de Ubatuba às 10h e chegamos em Angra às 13h, pela Rio-Santos. Vá em direção ao Cais da Lapa (cais de turismo).Deixamos o carro no estacionamento do Maguinho, que cobra R$ 10,00 por dia (fica à esquerda do cais, pra quem olha pro mar, numa área onde ficam vários ônibus e carros estacionados) e nos pareceu confiável. De lá, ande um pouco e vá em direção à balsa, que cobra R$15,00 por pessoa, mas há vários outros barcos que fazem a travessia pra ilha, mas baratos e mais rápidos. Fomos num deste.

No caminho para a ilha, o mar já começa a mudar de cor e qualquer ilhota dá vontade de fotografar, de tão lindo. No caminho avista-se bem a plataforma da Petrobrás. O percurso dura cerca de 1h30.

Abraão (15h)– a principal vila da ilha, com várias opções de local para comer, muito comuns os PFs (pratos feitos) de R$ 7,00 a R$ 10,00. Estava lotado de gente, pois era feriadão do carnaval. Almoçamos e iniciamos em seguida nossa trilha, rumo a praia de Palmas, que durou 1h. A trilha é pesada, com subida forte e pouca sombra logo no início. Depois uma decida longa e com sombra.

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Palmas (17:30h) – Há uns 4 campings nesta praia, todos quase lotados e a R$ 20,00/pessoa. Os dois primeiros estavam muito cheios e nos ofereceram um lugar muito apertado, feioso, muita gente e música ruim tocando alto. Bem caro para um local com pouquíssima estrutura. Ficamos no camping do Tonico, mais pro final da praia, menos cheio e com música de boa qualidade que vinha de uma banda que tocou durante a noite. Até tentamos ir pra umas praias mais adiante, mas não havia onde acampar.

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2o dia – domingo, 18/02/07 dia2

Palmas – Lopes Mendes – Cachadaço – Dois Rios – Parnaioca

Lopes Mendes – após 1h de caminhada a partir de Palmas, passando pelas pequenas praias dos Mangues e do Pouso, chega-se a esta belíssima praia. Quando a vi pela primeira vez, em 2000, julguei-a a praia mais linda que já tinha visto até então. É extensa, com areia branca e água verde azulada clara. Mas vá bem cedo, pois ela geralmente enche de gente, daí perde a graça por ganhar ares de farofaria, o que estraga qualquer praia.

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A trilha que segue para o Cachadaço não recomendamos para quem não saiba navegar por carta topográfica ou não seja bastante experiente. Descobrimos mais tarde que ela está fechada devido ao grande número de pessoas que se perdem nela. Assim, ela está se tornando cada vez mais fechada, além de não ter sinalização, várias bifurcações e não pegar sinal de GPS. Fizemos durante 3h e nem era uma trilha tão longa assim.

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Cachadaço – embora muito fã de Lopes Mendes, tenho que admitir que esta praia ganhou em beleza e sem dúvida é uma das mais bonitas de toda a viagem. Quase não há sinais de civilização ali, a não ser um grupo de pessoas que estavam fazendo o contorno da ilha de caiaque e parou ali para um descanso. A praia é muito pequena, posicionada num “saco”, donde não se avista o restante do mar, por estar fechado entre montanhas. Próximo há um poço para beber ou tomar banho e sombra para relaxar os olhos e a alma. Não pudemos ficar muito porque tínhamos que chegar ao destino do dia antes do anoitecer. Caso tenha chegado ao Cachadaço muito tarde, há uma área para camping selvagem.

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Seguimos adiante numa trilha bem marcada e sinalizada para Dois Rios (durou 1h com passada forte). Inicia com uma subida mega, depois fica plano e com algumas descidas na sua maior parte. O maior perigo é escorregar numa jaca caída no chão.

Dois Rios – uma vila pacata, com várias casinhas coloridas e ruínas, a principal é do antigo presídio, que foi implodido (idéia infeliz), mas ainda restam escombros. Paramos pra tomar um refri geladinho, comer docinhos caseiros e cuidar dos pés, num bar pelo caminho.Acabamos não ficando muito tempo, nem indo ver a praia, pois o tempo urgia, não queríamos andar na trilha durante a noite.

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A trilha pra Parnaioca é fácil também e dá pra ouvir o grito de macacos bugios (mas não conseguimos vê-los).

Parnaioca – EEEba !!! chegamos !! Foi o tempo de tirar uma foto do pôr-do-sol e em 10 minutos anoiteceu. Fomos procurar os 2 campings que constavam no nosso guia. O remador solitário Eduardo, que chegou à praia com a gente, nos contou que não havia mais camping. Não podia ser !!! Cansados, com fome, suados, fedorentos, com dor no pés e ainda aguardando Parnaioca o dia todo ! Fomos à casa da Janete, que tinha o ex-camping e fizemos cara de cachorro com fome (não era fingimento), perguntamos como poderíamos acampar, ou o que fazer, pois àquela hora não tinha para onde ir, nem voltar, nem seguir adiante ou pegar barco. Diante disso, ela nos abriu uma exceção e nos deixou acampar no seu quintal, com a condição de desmontarmos tudo até as 8h do dia seguinte. Tomamos um banho de mar, em águas transparentes (e o Rê pôde sentir suas assaduras conquistadas no caminho). Nos restauramos num banho de chuveiro e com um PF com peixe frito dos Deuses.

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Nesta noite, dormimos sem a 2a cobertura da barraca. Foi maravilhoso, pois além de muito mais fresco, podíamos ver as estrelas do teto da barraca.

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A Janete e seu marido nos desestimularam a percorrer o caminho pelas praias do Leste e Sul, que são reservas, pois os fiscais da Polícia Florestal, estavam nas extremidades destas praias, obrigando os engraçadinhos a voltarem de onde tinham vindo.

 

3o dia – 2a feira, 19/02/07 dia3

Parnaioca – Aventureiros – Provetá - Araçatiba

Nossa preocupação foi achar um barco que nos levasse para Aventureiros. Como era carnaval, muitos barcos vinham trazer turistas, então pegamos uma carona com o Rubens, amigo da Janete. Em outros períodos, é preciso entrar em contato com os barqueiros antes.

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Não conhecemos muito bem a Parnaioca, que tem um rio com cachoeira e igrejinha. É mesmo uma pena fazermos tudo correndo, mas nosso objetivo nesta viagem é rodar a ilha. Outra vez voltamos pra conhecer cada cantinho com mais calma. E Parnaioca é imperdível, com poucas casas, quase deserta, sem comércio, sem camping, sem pousada e a praia é linda!

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Aventureiros – Ir para Aventureiros de barco foi uma felicidade para nossos pés, que puderam descansar por 1 hora. A beleza da praia é maior quando vista do oceano do que da praia, o mar é incrivelmente verde e transparente. Gaste umas 15 fotos aqui! Pagamos R$ 10,00/pessoa.

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Em aventureiros paramos para um daqueles almoços de pão com salame. É preciso estar bem alimentado e hidratado, pois o que vem pela frente não é moleza, não!!! Vem aí uma tenebrosa subida, sem pausa para descanso, com 300m de ascensão. Foi a trilha mais exaustiva de toda a Ilha Grande, o bom é que é toda coberta pela mata e a trilha muito bem marcada, mas mesmo assim, viramos “cachoeiras ambulantes”. Nunca pensei que pudesse suar tanto!

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Provetá – Essa praia é muito bonita vista de cima e quando a trilha está chegando perto, mas chegando na areia, a vila é bastante pobre, sem ou com pouco saneamento e sujeiras pelas ruas. Na trilha conhecemos uma moça chamada Vânia, que nos convidou para um churrasquinho e uma Coca Cola gelada ! Hum !!!! Não comemos, mas as Coca veio maravilhosa!

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No caminho de Provetá até Abraão tem os postes de eletricidade, que acompanham boa parte do caminho. É só seguir que vai dar em Abraão.

Araçatiba – a trilha pra lá começa muito chata, sem sombra, feia e íngrime. Paramos numa bica d’água para tomar um “banho”. Chegamos bem cansados em Araçatiba, ameaçando dar um pé d’água.

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4o dia – 3a feira, 20/02/07 dia4

 

Araçatiba – Longa – Sítio Forte – Matariz - Bananal

Em Araçatiba ficamos acampados na pousada do Benê, num camping improvisado no seu jardim, apertados com outras 3 barracas. Mal conseguimos esticar a barraca e o pouco tempo que deixamos aberta permitiu que entrassem várias formigas, 1 aranha de médio porte e um monte de areia. Jantamos um PF por lá e planejamos o restante de nossa viagem. Foi difícil dormir nesta noite, pois tudo estava desconfortável (bichos, aranha, barulho, canseira...) Gastamos lá no Benê o seguinte: camping 10,00/pessoa, janta: 10,00/pessoa (gostoso), café da manhã: 10,00/pessoa (não merecia tudo isso de jeito nenhum!)

Saímos para andar já bem cansados, uma subidinha de nada e ficamos ofegantes. O início da trilha tem trechos confusos e mal sinalizados, mas é fácil encontrar caiçaras por ali que informem.

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Neste dia a trilha foi fácil, tanto por ser bem larga, sempre com sombra ou pequenos trechos de praias, e assim vai ser até o final da viagem. No entanto é mais populosa e cheia de lixo também. Tem lixo de toda espécie jogado pelo chão!

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Sítio Forte – Paramos para um almocinho: 2 litros de Fanta Uva, pão com Polenguinho e salame. É uma praia misturada com trechos de mangue e uma das primeiras que vimos praticamente deserta, pois o povo do carnaval já começava a ir embora.

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Bananal – Chegamos por volta das 17:30h e este foi o dia mais cansativo, não pela topografia, mas por acúmulo de cansaço e de noites não muito bem dormidas. A essa altura nossas roupas estavam quase todas molhadas (exceto as que usávamos como pijama) ou muito mau cheirosas, nossos tênis estavam descolando a sola; meias, trouxemos só 2 pares pra cada, e precisaria de pelo menos 3. Assim, decidimos que ficaríamos numa pousada. Ficamos na Pousada dos Pretos, propriedade de uma família de japoneses. Bananal não tem camping e tem 4 pousadas _ todas de japoneses. A diária ficou R$ 100,00 pelo casal, acima do que havíamos pago em média todos esses dias, mas valeu cada real. Quarto e banheiro espaçosos, ventilador, uma jantinha self service muito caprichosa (até com camarão empanado, sobremesa e cafezinho!).

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Algumas escunas que passaram a noite na praia, não deixaram o silêncio chegar. Tocaram funk, Kely Key e baladas. E pra terminar a madrugada com chave de ouro, um bêbado brigando com outro aos berros; um dizia que ia matar o outro, até que um deles pegou sua canoa e saiu remando mar a fora (como é que deixam um homem assim voltar remando??? Ainda bem que não existem postes no mar).

A praia não é muito bonita, mas é um bom lugar para descanso. Nas praias que seguem não há lugar para acampar.

 

5o dia – 4a feira, 21/02/07 dia5

 

Bananal – Bananal Pequeno – Praia de Baixo – Saco do Céu – Aqueduto Lazareto – Abraão

Foi um dos dias mais bonitos. A trilha geralmente suave em grande parte, margeava o mar, donde podíamos ver uma água cor de piscina. Paramos na Praia de Baixo por uns minutos _ linda!! Pequena, azulada, estonteante! Seguimos caminho com pausas mais do que de costume pela canseira do último dia.

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Saco do Céu - não vimos tanta beleza quanto dizem, principalmente ao caminhar pela vila e passar por casas miseráveis, também sem infra-estrutura e com muita sujeira, entremeado com pousadas e restaurante luxuosos isolados. Almoçamos num restaurante aqui.

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Andamos e andamos e chegamos ao Aqueduto Lazareto, que tem mais ou menos 150m de extensão, construído por ordem de D. Pedro II para levar água para a vila de mesmo nome.

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Abraão - Chegamos por volta das 17:30h. Com tanta vontade de voltar pra casa, seguimos direto ao cais, ver se tinha algum barco partindo para Angra. Tinha (R$ 15,00/pessoa) ! Voltamos cansados e felizes. Pegamos o carro e voltamos numa alegria só. Dormimos em Paraty e seguimos viagem no dia seguinte para Ubatuba.

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Terminamos mais uma aventura com vontade de voltar -
só precisamos dar uma descansadinha antes... Ilha Grande que nos aguarde novamente!!!

 

AGRADECIMENTOS:

-Janete e seu bem-humorado marido(praia Parnaioca), que nos abrigou, forneceu comida, banho e uma boa prosa após um dia exaustivo. Ela tinha um camping no local e atualmente não pode liberá-lo por problemas burocráticos. Para quem precisar entrar em contato: E-mail: This e-mail address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it , fones: (21)3427-8089, 9674-7616

 

-J. Bernardo, que escreveu o guia (imprescindível para quem não tem experiência com trilhas) “Caminhos e Trilhas da Ilha Grande”, que nos ajudou a planejar o roteiro da viagem e nos esclarecer dúvidas em trilhas. Contato: This e-mail address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it . Recomendamos!

-Solange e Nádia, nossas vizinhas da casa 20, que cuidaram dos nossos gatinhos durante a semana que ficamos fora.

Faça download do tracklog no link Tracklog Volta à Ilha Grande (formato .gtm Trackmaker)

Uma grande parte deste tracklog foi reconstituída manualmente, pois algumas trilhas estão em mata bem fechada (principalmente no lado oceânico) e o sinal do GPS se perde com facilidade, use o tracklog como referência, não é o caminho exato.

 

Veja as fotos no link http://http://www.flickr.com/photos/renato_galani/sets/72157594556239953/

 
Comments (1)
Volta na ilha
1 Tuesday, 17 November 2009 18:04
Parabéns pela aventura, mas 5 dias é muito pouco. Em maio desde ano também me aventurei na volta da ilha, minha idéia era fazer em 10 dias e acabei fazendo em 9 (me arrependi) e ainda não fiz tudo que queria. Marquei todo o meu trajeto com o 60csx (esse pega) e o meu pequeno relato e o tracklog completo estão em meu site. Aguardo a visita de vcs (www.marciomarques.info). Fote abraço e boas aventuras.