| Travessia Serra Negra |
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O Parque Nacional de Itatiaia (PNI) fica na fronteira de RJ, SP e MG, durante a travessia, mudamos de estado diversas vezes. A trilha que escolhemos, é praticamente uma descida, que vai chegar em Mauá, distrito de Itatiaia, lugar muito gostoso para descansar, namorar, beber um bom vinho ou fazer mais trilhas. NOVEMBRO - 2006
OS AVENTUREIROS: Marianna e Renato, como sempre. Ninguém quis passear com a gente... “Uma travessia de presente de aniversário(foi dia 14/11) para minha esposa”(Renato)
Em cima da hora: neste feriado de 20 de novembro, sabíamos que viajaríamos de bike ou a pé para algum canto. Planejamos fazer o “Caminho das Frutas”, no interior de São Paulo, mas como as trilhas estão abandonadas, nos convenceram a desistir. Depois fizemos o roteiro para a travessia Petrópolis-Teresópolis, mas choveu muito na semana e ficaria perigoso andar por lá. Aí que 3 dias antes, o Renato vasculhou e encontrou esta travessia que foi muito legal. A semana que antecedeu estava com o clima bem instável, choveu por vários dias e a previsão do tempo não era das melhores, então planejamos ir para a cidade de Itatiaia, que caso não desse certo fazer a travessia, poderíamos ficar hospedados nesta cidade e fazer trilhas em que pudéssemos ir e voltar no mesmo dia.
Sexta, 17/11/06Campinas – Itatiaia. Fomos de carro à noite, duração de 4 horas de viagem, passando por D. Pedro, Carvalho Pinto e Dutra. Ficamos hospedados na pousada Ypê Amarelo (ver detalhes e elogios no final deste relato), onde pagamos R$ 60,00 pela diária com café. Fácil chegar, o problema é que tem um pedágio em que se paga ida e volta a 500m da cidade. Jantamos uma pizza lá perto, na Fornalha (pizza grande e 3 sucos de laranja por R$ 23,00).
Sábado, 18/11/06Como a chuva havia estabilizado e a previsão do tempo ficou favorável, decidimos fazer a travessia. Depois do café, fomos de carro até a entrada da parte alta do PNI, onde não há qualquer tipo de fiscalização, guarita, não precisa de autorização, nem de burocracias (que milagre!!!). De Itatiaia, pega-se uma estrada asfaltada na serra até Registro, depois uma BR (bem BR mesmo!) esburacada, e quanto mais pro alto, pior ia ficando, em vários trechos precisava-se desviar do asfalto remanescente. Nossa preocupação com a logística, de como buscar o carro de volta no alto do parque, foi resolvida quando o Bruno da pousada se ofereceu para nos buscar em Mauá e levar até onde estava o carro por R$ 100,00. Caiu como uma luva!
Deixamos o carro no Alsene, que é pousada e camping. Nem pensamos em nos hospedar lá porque lemos vários relatos de pessoas enraivecidas falando mal do lugar. Pelo que pudemos ver, parece que faltam cuidados com a conservação do local, mesmo. Porém, pudemos deixar o carro lá sem problemas.
A trilha inicia, sem chuva, tempo parcialmente nublado e altitude acima dos 2000m, isso significa que a vegetação tem algumas peculiaridades, plantas e flores diferentes do que costumamos ver nas matas mais baixas. Os primeiros 12 km é praticamente só de descidas moderadas, poucas subidas e paisagens muito bonitas, logo no início avistamos a imponente Serra Negra e vales muito profundos. A trilha é bem marcada, difícil se perder ou de cair em algum penhasco.
A parte mais emocionante começou na segunda metade da trilha (agora posso rir tranqüila, mas na hora, só podia rezar!). Havíamos lido sobre uma tal de SUBIDA DA MISERICÓRDIA. Deus misericordioso! O bicho é feio !! e ainda pra ajudar, vou contar o que aconteceu para apimentar a aventura. Estávamos a cerca de 1 km da tal subida, andando por matinhas, riozinhos, avistando paisagens e afins e de repente, começa um pé d’água. Uma baita chuva que em poucos minutos molhou até a alma e nossas roupas dentro da mochila (embora tivéssemos colocado capas nas mochilas, descobrindo naquele momento que elas não protegem totalmente, portanto, é prudente colocar suas roupas em sacos plásticos). Após muita chuva e um pouco de correria no meio de um pasto... e na verdade, não sei do que estávamos correndo, pois não tinha pra onde ir! e de pisadas em cheio em montes de totôs de vaca, a chuva foi acalmando, mas os raios e trovoadas não. Subida da misericórdia: ei-la !!!! Começamos a subir um pasto, e um morro, e uma montanha, e subir, subir, subir. Na verdade, inicialmente não sabíamos que esta era a famosa subida. Paguei todos os meus pecados ali, e acho que eles foram realmente abolidos, pois se fossem imperdoáveis, dali eu não tinha passado! Estava no alto de uma montanha descampada, de lá, via-se um imenso e lindo vale, e também, ouvia tenebrosos trovões e horripilantes raios na montanha vizinha. Nem deu pra curtir muito a paisagem, era preciso sair dali o mais rápido possível, o Renato ia na frente, e eu, lanterninha, atrás, mas estava com meus pulmões bombando! Era o máximo da minha capacidade respiratória e até fotossíntese eu já estava fazendo para obter mais energia pra subir. Não foi tanto o esforço físico que estava acabando comigo, o medo com certeza era pior. Ficava pensando se o Renato iria saber fazer massagem cardíaca e respiração boca a boca, caso eu fosse eletrocutada. Eu estava com os dois bastões de caminhada nas mãos, mas não estava usando nenhum na subida. Perguntou o Renato: -Onça, se vc usar os bastões, não ajuda na subida? -Ajuda, mas estou com medo de usa-los !!! (pois na minha mente, eles só serviriam como pára-raios) Nossos pecados não foram tão grandes assim, fomos perdoados pelos retroativos e ainda devemos ter bônus!! Até que entramos na mata e andamos um bom trecho por lá. Ao sairmos, o temporal já havia passado, a chuva, raios e trovões pararam e pudemos andar mais tranqüilos pela crista da montanha.
Chegamos ao Km 16, onde havíamos planejado acampar, mas decidimos tocar adiante, pois ainda era cedo, não iríamos ver pôr ou nascer do sol, nem admirar estrelas. Estava muito nublado e frio. Depois disso, foi só descida novamente. Paramos para almoçar um pão sírio com Polenguinho e devorar damascos às 16h. Andamos um bom trecho no plano, num lugar com um mato baixo e trilhas de gado, com a Serra Negra nos acompanhando ao lado. A descida foi também bonita e aos poucos avistando alguns sinais da civilização, que àquela hora, já era muito bem vinda. Cruzamos com mulas pelo caminho 2 vezes, carregando queijo.
Por melhor que seja a trilha, é sempre muito bom termina-la e chegar ao destino final. Lá estávamos nas vilas de Mauá, que são 3, nesta ordem: Maromba, Maringá e Mauá. Ficamos em Maromba nas próximas 2 duas noites. Queríamos um lugar bem barato e acabamos alugando um quarto com o Rodrigo. Já era noite quando chegamos e o que nos chamou a atenção é que o lugar tinha várias luminárias coloridas na frente, pois ele as fazia para vender. Alugamos o quarto por R$ 10,00/pessoa. O quarto era extremamente simples, mas bem mais confortável que um camping, com chuveiro quente e uma lanterna vermelha na frente da nossa janela. Fizemos um macarrão com legumes e molho de estrogonof com proteína texturizada de soja que foi hum... delícia!!! Quentinho e calórico!
Domingo, 19/11/06Acordamos... será que apanhamos durante a noite e não nos lembramos?
Hoje, obviamente foi “Morg’s Day” (para quem ainda não sabe: “Dia de Morgação”), aproveitamos para passear pela região de Mauá. De Maromba é só continuar seguindo a estradinha principal a pé e se chega a Maringá em 40 minutos, vila cortada pelo Rio Preto, que a divide em MG e RJ. Seguindo a estrada chega-se a Mauá, mas a mais charmosa das três vilas, com certeza é Maringá, com um pequeno comércio de artesanato, restaurantes e pousadas de todos os preços e de lá pode-se partir para fazer muitas trilhas e passeios no mato. Há agências de ecoturismo que alugam bugue, bici e podem dar dicas de trilhas para fazer por conta própria Comemos uma truta deliciosa no almoço, e passamos boa parte da tarde no restaurante lendo jornal enquanto chovia. Se quiser beber um bom vinho ou comer fondue, passe a noite por lá. Voltamos para Maromba por um caminho alternativo à estrada, do outro lado do rio. São várias ruazinhas e trilhas que entram em fazendas, lugares para nadar no rio, pousadas e campings, um caminho muito mais bonito e agradável do que pela estrada. Em Maromba comemos uns bolinhos numa confeitaria, encontramos um pessoal montanhista que estava acabando de chegar da trilha também e achou que a gente estava bem, por ter feito tudo num dia só !! Içaaa !!! (acho que foi mais medo de levar raio na cabeça do que preparo físico !)
Segunda, 20/11/06: Feriado da Consiência Negra, para nós, Feriado dos sem Consciência que andam na Serra Negra! Dia de voltar pra casa, afinal, amanhã é dia de branco. O Bruno, sua esposa Vanessa e o filho João Pedro nos buscaram em Maringá. Bruno nos levou até a entrada do parque para buscarmos o carro e de lá, seguimos viagem de volta para Campinas, sem esquecer de parar no caminho, em Registro, para comprar uns docinhos, pinhão cozido e milho.
Navegação / Orientação: No geral a trilha é bem simples, usamos como referência o tracklog do Tácio Philip e o croqui (coloquei os mesmos junto com nossas fotos no Flickr) feito pelo Guilherme Rocha, que em 2001 também fez um trabalho em conjunto com a Mauátur (Associação Turística e Comercial de Visconde de Mauá) e com o apoio do Parque Nacional do Itatiaia para sinalizar toda a trilha e montar este croqui, porém infelizmente a única que placa de sinalização que vimos foi a do ínicio da mesma. Existem apenas dois pontos que merecem atenção e que podem te levar a sair da trilha, o primeiro é no Subidão da Misericórdia, você está lá pelo 11,5 km (acumulado, referência 6 do croqui, não existe mais a placa), andando em uma larga estrada de terra e terá que sair à direita em uma trilha mal definida, passar por uma porteira, um curral e começar a mega subida por um descampado. O segundo ponto de atenção é chegando no final da trilha (acumulado 23km, referência 12 do croqui), você terá que virar numa trilha à direita, do resto todo trecho é bem simples, mas se você não tem experiência em trekking e navegação procure um guia ou pessoa que conheça a trilha. No total fizemos a trilha em 8h40, porém estávamos com muita carga pois tínhamos a intenção de acampar pelo caminho. Quanto à água não se preocupe, em todo o caminho existem muitas opções (usamos apenas 2 caramanholas que íamos reabastecendo), a partir do subidão que a água começa a ser mais restrita, porém estudando os pontos e dosando não tem o que se preocupar.
Altimetria:
Links: Relato, dicas e croqui do Guilherme Rocha http://360graus.terra.com.br/trekking/default.asp?did=1124&action=relato http://360graus.terra.com.br/trekking/default.asp?did=1125&action=geral http://360graus.terra.com.br/trekking/default.asp?did=1126&action=geral http://360graus.terra.com.br/trekking/default.asp?did=1127&action=hist%F3ria http://360graus.terra.com.br/trekking/default.asp?did=1128&action=dica
Relato, dicas e tracklog do Tácio Philip Sansonovski http://www.eportateis.com.br/tacio/agenda/itatiaia/itatiaia_intro.html
Carta Topográfica em formato PDF (Agulhas Negras) ftp://geoftp.ibge.gov.br/mapas/topograficos/topo50/pdf/agulhas_negras27124.pdf (+- 40MB) Carta Topográfica + Tracklog Plotado
DICAS: -Em Visconde de Mauá há pousadas e hotéis de todos os preços e para todos os gostos. Já estive lá em dois feriados já e nunca encontrei o local lotado suficiente onde não encontrasse uma caminha (das baratinhas, pelo menos, não faltavam) -Bruno não faz o transporte Mauá-Itatiaia freqüentemente, por isso pesquisamos os preços para o transporte Mauá-Itatiaia e encontramos de R$ 250 a R$ 150,00. Quem faz por R$ 150,00 (4x4 para até 4 pessoas) é uma agência de turismo ecológico chamada “Remorini – Ecoaventuras”, que fica no centro de Maringá. E-mail: This e-mail address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it Fone: -Não deixe de comer truta em Maringá!
AGRADECIMENTOS: Um forte abraço para o casal Bruno e Vanessa da Pousada Ypê Amarelo, em Itatiaia, que nos hospedaram muito bem e ainda colaboraram muito para a logística da nossa viagem. Recomendamos muito sua pousada, que é muito simples, mas com bom preço e com atendimento de primeiríssima! Fone: E-mail: This e-mail address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it
À Luciene, que cuidou da Biba (nossa poodle) e da Pantera (nossa gata preta) nesta e em várias outras viagens, e que ainda deixa nossos tênis imundos e nossas roupas fedorentas bem limpinhos e cheirosos. Faça download do tracklog no link Tracklog Serra Negra (Tracklog extraído do site do Tácio Philip Sansonovski, formato .gtm Trackmaker) Veja as fotos no link http://www.flickr.com/photos/renato_galani/sets/72157594386512793/ |

















