Trilha do Ouro E-mail
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Sempre ouvíamos falar bem da Trilha do Ouro e vários sites a elogiavam. Foi chegando o feriado e decidimos conferir. Essa foi nossa primeira travessia a pé, a primeira vez acampando. Inicialmente planejamos andar por 3 dias, mas mudamos de idéia no meio da trilha.

SETEMBRO - 2006

 

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OS AVENTUREIROS:

 

Marianna Mellone de C. Galani, 31 anos, ginecologista e obstetra, responsável pela logística, compra de passagens e busca de pousadas, narradora deste relato, corredora de aventura.

Renato Giraud Galani, 34 anos, Gerente de Qualidade em informática, responsável por mapas, GPS, estatísticas, corredor de aventura.

“Não pensei que iria encontrar um companheiro para qualquer aventura dentro da minha própria casa!”

(Marianna)

 

 

A preparação física: dois tipos de preparo físico são essenciais, um é com as pernas, é necessário fortalecê-las para enfrentar subidas e descidas sem se cansar muito. Para isso fazíamos musculação. O outro é o cuidado com os pés. É necessário “calejá-los” (ficam tão bonitos !...) uns dias antes da travessia e conseguimos isso fazendo caminhadas longas, de mais de 3 horas de duração. Nossas táticas deram certo, mas mesmo assim, vai sobrar muita dor no último dia. Talvez tivesse sido necessário fazer algum exercício pras costas e ombros também, pois a mochila pesada judiou bastante.

 

A AVENTURA

 

Quarta, 06/07/06

Campinas - (Cometa) – Sampa - (Pássaro Marron) – Guaratinguetá. Chegamos em Guaratinguetá por volta da 1:00 da manhã, num frio medonho. Saímos para procurar um lugar para repousar o esqueleto por poucas horas, pois nosso bus saía pra São José do Barreiro (SJB) às 6:30h. São muito caros os hotéis lá e várias pousadas já estavam fechadas àquela hora. Um guarda que estava na praça nos viu meio sem destino e nos levou à hospedaria Nove de Julho. Pagamos R$ 30,00 para dormir poucas horas, passar muito frio e ouvir barulho de cupim no teto a noite toda. O cobertor era um só para o casal, pequeno e fino. O Zé, dono da pousada começou a bater na nossa porta às 5:00h para nos acordar. Ninguém pediu pra ele fazer isso !!! Bem cedinho voltamos pra rodoviária. Estava muito fria aquela noite. Vimos alguns mendigos dormindo em varandas, e sempre com cachorros vira-latas juntos, todo mundo amontoado. Bonitinho ver como são companheiros e se esquentavam todos os homens e os cachorros.

 

 

Quinta, 07/07/06

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Guaratinguetá – (Pássaro Marron) – SJB. Conhecemos neste ônibus o Freitas e 2 Andrés, que vinham de Sampa. Juntos, rachamos a condução de uma pick-up até a entrada do parque, e ficou R$30,00 pra cada. Até que não ficou caro, perto do que estávamos esperando. Se estiver sozinho, vale a pena esperar um pouco na pracinha central, pois é lá que param os bus trazendo turistas, vc pode juntar um pessoal e rachar a condução. Na pracinha estava tendo comemoração de 7 de setembro, crianças cantando, banda e desfile de rua.

Pegamos um mapa da trilha com a dona de uma papelaria (qual papelaria? Quem era a dona??? Não sei, mas no posto do Ibama que tem lá perto eles sabem informar). É um mapinha simples e bem feito.

Subimos até a entrada do parque. Esta subida achamos que não vale a pena fazer a pé, pois é muita estrada, muito sol na cabeça e a paisagem, embora bonita, dá pra ser apreciada de carro.

Subida SJB até entrada do parque (26,5km de carro / Início: 10h40 ~ Fim: 11h50)

 

O PARQUE: conferir documentação e assinar termos de responsabilidade (é necessário solicitar a permissão para entrada uns dias antes ao IBAMA (12... fone e (12) 3117-2183 fax). Recebemos um confortável aviso do guarda de que na noite anterior havia feito 5o C no parque!! Tem vestiário e água na entrada.

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Iniciamos nossa jornada a pé por volta do meio dia, logo no início, tem a cachoeira do Isidoro, muito bonita. Uma baita descida, mas vale a pena. Mais um pouco, a cachoeira da Posse, mais simples e bonita também. Passamos esta caminhada à base de damascos (que chique!), que comíamos 1 a cada meia hora para manter a glicemia e evitar uma hipotermia. Toda a trilha de hoje foi percorrida por uma estradinha, onde dava para passar carros em praticamente toda ela, estava muito nublado e ao entardecer foi ficando frio, bem frio! Os primeiros 2/3 da trilha é praticamente plano, poucas subidas e descidas, mas o segundo terço... !! meu amigo, prepare as pernas!! É muita subida! E se estiver sol, então, deve ser pior, porque é muuuita subida! E lá no alto, vimos o vale por pouco tempo, porque baixou uma cerração forte até o final do dia. Ficou tudo nublado e muito bonita pra quem gosta de visuais Yin (eu gosto!). Na descida final, aparece a capelinha tão esperada _ é sinal de que Deus não te abandonou e vc está chegando na Barreirinha!! Já estava com muita dor nas costas. A mochila me pesou bastante, ainda mais ao saber que a minha estava mais pesada que a do Renato!!

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A Barreirinha é uma fazenda antiga e bonita pela sua simplicidade. Muitos vasos com flores, mina d’água, visual bonito do vale e das montanhas ao redor. Lugar bacana para acampar (R$ 5,00 por pessoa). Pode-se ficar hospedado na pousada do Tião, tomar banho quente (R$ 5,00/pessoa _ e não é muito quente) ou fazer refeições lá.

Montamos nossa barraquinha (que era virgem). Refeição desta noite: sopa como croutons (estes, divididos com 2 cachorrinhos vira-latas) de entrada, risoto milanês com proteína texturizada de soja como prato principal. Eu estava preparando os croutons (quem lê pensa que era um jantar francês!) e apareceu um cachorro marrom pedindo um pedacinho, e eu dei. O bichinho estava se deliciando com as bolachas, até que escuto atrás de mim uma rosnada forte: RRRRRR !! Era outro cachorro, de mesmo formato, mas preto, que devia estar esperando que eu me manifestasse há algum tempo e desse comida também para ele.

O André chegou um pouco depois da gente, o outro André e o Freitas não apareceram. Fomos dormir quentinhos, mas isso não durou muito tempo !!!

Entrada do parque até Barreirinha (18km / Início: 12h20 ~ Fim: 17h50)

 

Sexta, 08/09/06

Passamos um frio que nos gelamos esta noite na barraca!!! Teve uma hora de madrugada que eu e o Rê acordamos, nos entreolhamos e dissemos “Estou com frio e vc? Eu também. Mas não tem o que fazer, pois já estamos usando todas as roupas que trouxemos”. O jeito era se encolher e grudar um no outro o máximo que podia, mas também não dava pra se encolher muito porque senão o corpo saía fora do colchão e dava pra sentir pedrinhas embaixo. Quanta alegria cochilar e de repente ver que tinha amanhecido! Esta noite foi fator determinante para resolvermos terminar nossa caminhada num só dia (pela programação faltavam 2 dias). O que estava previsto para fazer na sexta e no sábado, faríamos tudo na sexta!

 

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Tomamos um cafezinho da manhã, leite com Nescau, granola e aveia e um pãozinho sírio com salame. Estávamos novinhos de novo. Hoje saí com menos peso na mochila (e o Rê com um pouco mais), o que melhorou muito. Saímos da Barreirinha (Gasto total: R$ 20,00, sendo R$ 5,00 por pessoa pra acampar e esse mesmo valor pra tomar banho (quase) quente.

 

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As trilhas de hoje foram as mais bonitas, sem dificuldade para achar água na maior parte delas. Chegamos na Cachoeira do Veado ao meio dia. É bem alta e bonita e dá pra subir até o seu topo, mas decidimos não ficar muito tempo por lá. Sentamos numa pedra donde se avistava a cachoeira e fizemos um macarrãozinho ao fungi (só comida fina!). O sol estava mais forte, mas passamos por muitas trilhas boas pra andar, muitas descidas leves, com mata e muita sombra, só o trecho inicial dessa trilha era sem sombra (sair abastecido de água). Encontramos os primeiros calçamentos feitos por escravos. No nosso roteiro original, teríamos acampado aqui, como muitos fazem, mas estávamos bem descansados. Não gostamos de passar muitas horas parado no mesmo local, enquanto houver sol, preferimos continuar andando e admirar a paisagem em movimento.

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Barreirinha até a Cachoeira do Veado (12km / Início: 8h50 ~ Fim: 12h10 )

 

Saindo da cachoeira, o caminho ficou meio confuso. Seguimos uma trilha, que não sabemos se era bem aquela que estava indicada no mapa. Teria que atravessar um ponte, mas só encontramos uma quebrada. Tivemos que atravessar o rio Mambucaba, que é largo, mas não é fundo e a correnteza não era forte. Daí segue um trecho com sol na cabeça, um mato meio seco, trilha ruim de andar, mas não por muito tempo também. O resto da viagem se segue praticamente todo com a trilha bem marcada, protegida pela mata muito bem preservada e com calçamento. Este, às vezes ajudava, às vezes atrapalhava, mas sem ele, capaz que alguns trechos de trilha teriam sumido, devido à constante umidade dos 10km finais de trilha, que volto a dizer, eram muito bonitos com o rio nos acompanhando até o final da viagem. O últimos Km eram um descida bastante íngrime e escorregadia, com lama também. Não tem como acampar por aqui. Vimos algumas mulas que faziam o sentido contrário.

A fruta de hoje foi tâmara, de meia em meia hora, comíamos uma.

Às 17:30h chegamos à almejada ponte pêncil, que é o final da Trilha do Ouro. E vc pensa que acabou???? Não!! Porque se vc parar ali, vai ficar ali. É preciso conseguir uma carona para chegar até o vilarejo de Mombucaba. Era sexta-feira anoitecendo, não víamos muito movimento de gente ou de carro. A previsão era de andarmos mais 3 horas até chegar à vila. Mas quem disse que isso era possível? Vc prepara seu corpo e sua mente parar andar X Km, mas se tiver que andar 500m a mais, parece que tudo trava e começa a doer. Já sentia uma dor quase insuportável nos ombros, não tinha mais como ajeitar a mochila. Estávamos pensando em acampar pela estrada mesmo, até que vimos um carro saindo da garagem. Na maior cara de pau, sem parar para pensar, comecei a gritar “ Dá carona! Dá carona!”. E nos deram carona! Era o Dedé, agente de saúde da Medicina de Família, socorrendo o Alex, que estava buscando ajuda médica na vila para o pai, que estava com dor na coluna. Que carona boa! E a vila era longe pacas ! Até demos um dinheirinho para ajudar na gasola.

Cachoeira do Veado até Ponte Suspensa (10km / Início: 13h10 ~ 17h15) até Mambucaba são mais 15km

Da vila para Paraty pegamos uma van, que também era outro tantão de Km. Paramos no ponto final e batemos na primeira pousada que encontramos “Pouso Familiar”, de um casal brasileira+ polonês (ele se chamava Joseph, mas está tão abrasileirado que queria ser chamado de Zé), muito simpáticos. A pousada era muito simples, mas não precisa dizer que dormir em cama quente depois dessas aventuras era a melhor coisa!

Nossas canelas estavam um trapo, acho que por causa de tanta descida. Se somasse as minhas pernas mais as do Renato, não dava uma!! Parecíamos dois manquinhos andando pela cidade, de chinelão.

 

Sábado, 09/06/06

Já que não conseguíamos andar muito, o que fazer em Paraty então? Decidimos trocar a passagem e voltar mais cedo pra Campinas. Foi a melhor coisa! Fugimos da muvuca da volta do feriadão. Antes passamos numa agência de turismo ecológico para nos informar sobre travessias pela região (não tem vergonha nessa cara??)

Mais uma viagem deliciosa no meio do mato !!!

Já em Campinas tivemos notícias dos meninos que conhecemos. Os três se encontraram na Cachoeira do Veado, onde acamparam e passaram a noite de sexta. Todos passaram bem e voltaram para suas casas com saúde.

 

LOGÍSTICA (Alguns dados úteis):

 

-Rodoviária de São Paulo: (11)3235-0322

-Viação Cometa Campinas: (19) 3772-3450. Tem só um bus diário de Campinas pra Guaratinguetá e vários de Sampa p/ Guaratinguetá.

-Viação Pássaro Marron: (11)6221-0244 –Sampa, (19) 3232-7201 – Campinas. Faz de tudo para dificultar sua vida!! Não vende passagem por fone, internet ou por qqr outro meio que não seja vc ter que se deslocar pra comprar. Se vc mora em Campinas e precisa de uma passagem Sampa-Guaratinguetá, vc tem que sair da sua casa e do seu trabalho para ir lá comprar a passagem!!!! Os ônibus são velhos, desconfortáveis e sem cinto de segurança. E não adianta ligar no SAC deles reclamando porque eles não demonstram interesse em se modernizar.

-Viação Reunidas Paulista 0300-210-3000. Vc poderá usar para voltar de Parati para SJ dos Campos ou São Paulo. Se precisar, compre com bastante antecedência porque estes são sempre cheios em feriados. Vende passagem por fone ou internet, bom atendimento e serviço muito bem feito. Ônibus novos e confortáveis.

 

 

O QUE LEVAMOS:

COMIDAS:

Leite em pó + Nescau misturados

Granola + aveia

Sal

Proteína de soja texturizada (é leve e rica)

Pão sírio (foi uma boa, pois ocupa pouco espaço)

Torradas (ou “croutons” para os mais chiques)

Frutas secas: damasco, tâmaras, bananinha)

Leite Moça em tubinhos

Risoto: 2 saquinhos, cozimento rápido

Macarrão ao fungi (de cozimento rápido)

Miojos: 2

Sopas: 2

Salame

Polenguinho

Bolacha doce (1 saco)

 

ROUPAS (por pessoa):

Calça suplex

Calça lycra

Gorro

Luvas de lã

Calcinhas/cuecas: 3

Bermudas lycra

Tênis

Chinelo

Anorak

Óculos escuros

Boné

Segunda pele

Meias: 3 pares

Camisetas: 4

 

HIGIENE:

Sabonete

Bucha

Shampoo

Condicionador

Hidratante

Papel higiênico

Pente

Toalha superabsorvente

Batom (confesso que levei umzinho!)

 

PRIMEIROS SOCORROS:

Agulha (para furar bolhas)

Esparadramo micropore

Antiinflamatório

Analgésico

Cataflam gel

Filtro solar

Protetor labial

Repelente

Antisséptico

Hidroesteril (não pode esquecer desse pra esterilizar a água!!)

Vaselina (para assaduras e o que mais vc quiser!)

 

CAMPING

Barraca 3 lugares

Isolantes térmicos: 2

Sacos de dormir: 2 (levamos para até 11o , mas precisava ser mais quente!)

Fogareiro

Botijões: 2

2 Mochilas 50 litros

Capas de mochila

Panela com tampa: 1

Gamela: 1 (serve como prato também)

Garfos e colheres: 2

Potes plásticos (para beber leite e comer granola)

Caramanholas: 2

Isqueiros: 2

 

GERAIS

Silvertape (serve pra tudo!)

Canivete suíço

GPS (com pilhas reserva)

Carta topográfica

Relógio com altímetro

Bússola

Lanterna de mão: 2

Head lamp: 2

Máquina fotográfica

Bloco de anotações

Caneta

Documentos

Cartão banco

Pílula (só para mocinhas)

R$ 400,00

 

Faça download do tracklog no link Tracklog Trilha do Ouro (formato .gtm Trackmaker)

Veja as fotos no link http://www.flickr.com/photos/renato_galani/sets/72157594306292612/