Este caminho foi criado em 2001 no interior do estado de São Paulo como um preparatório para pessoas que pretendem fazer o caminho de Santiago de Compostela “buscando a introspecção e o despojamento material”, segundo seus organizadores. A maior parte do caminho passa por áreas rurais e abrange as seguintes cidades em ordem: Santana de Parnaíba, Pirapora do Bom Jesus, Cabreuva, Itu, Salto, Indaiatuba, Elias Fausto, Capivari, Mombuca, Piracicaba e Águas de São Pedro. É possível percorrer a pé por 11 dias ou de bici de 3 a 5 dias.
Carnaval de 2005 Os Aventureiros:
-Marianna, narradora, logística, lanterninha; -Renato, navegador; -Zé Hussein, nosso cumpadi, comprou uma bici novinha para ir com a gente !
 Para fazer o caminho, não é necessário ir com guia, basta entrar em contato através do site e alguém será responsável por orientar e entregar uma descrição detalhada do caminho. Eles também fazem as reservas para almoço e pernoite.
Esta viagem:Nossa primeira cicloviagem !!
Aproveitamos o feriadão do carnaval para cicloviajarmos. Chamamos um “punhado” de gente, mas só o Zé Hussein teve coragem de ir.
Não é preciso ser um superatleta para fazer esse caminho, mas também nada de ir sedentário! Os percursos no geral não são extenuantes, mas com o passar dos dias, tende a acumular cansaço e se o sol estiver muito quente, o pedal parece que não funciona!
Compramos umas “garupas” pras bicis, baratinhas (R$ 11,00) e que deram conta do recado. Usamos uma malinha ou mochila, envoltas em lona preta (importante para os dias de chuva), presas com elásticos, pra carregar nossa bagagem. Deu certo, só é chato desmontar e remontar. Aprendemos (antes de sair) que economia de itens é imprescindível. É preciso levar o mínimo de bagagens possível, roupas fáceis de lavar e rápidas de secar, 1 tênis, 1 chinelo, sabão e prendedor de roupa, alguns objetos pessoais e só. Pois tudo o que se leva, se carrega. Comida não é preciso levar, pois é fácil conseguir em diversos pontos pelo caminho.
Notamos que a maioria das pessoas que faz o caminho a pé, vai mais introspectivo, mas meditativo, com intuito mais religioso. Já quem faz de bici, por fazer o percurso com um bem mais depressa, vai mais com idéia de curtir o passeio, ver a paisagem, tirar fotos, aproveitar o jantar pra contar causos... Muito bom de qualquer uma das maneiras!
Conhecemos vários outros grupos de ciclistas, pois parávamos nos mesmos lugares pra almoçar e dormir e sem querer, cada grupo acabou ganhando um nome: “Grupo dos Meninos” (3 ou 4 moços, incluindo o Zé Luiz Coelho - pode agradecer pelo “moço”- que encontramos por acaso em inúmeros outros eventos depois), o “Grupo das Meninas” (que saíam bem cedinho para pedalar e parece que 1 ou 2 delas não tinha muita experiência com bike, foram bastante guerreiras!), os “Barulhentos” (uns caras que estavam sempre falando alto ou brigando, tarde da noite ou de manhã bem cedo) e nós, “O Casal + Um”. Diário de Bordo:Sexta, 04/02/05: de Campinas a Santana de Parnaíba.
Um amigo nos levou de carro até Santana. Paramos na Pousada 1896, no centro da cidade, onde pegamos nossos passaportes, colares e o primeiro carimbo! O alojamento para o pessoal do Caminho era no sótão e de lá dava pra ouvir todo o carnaval, a cidade estava bombando e tinha um trio elétrico bem na nossa janela. De madrugada, quando o trio se calou, vieram os bêbados brigando na rua (xingando a mãe do outro). Não dormimos muito. Estava começando nossa viagem!
 Sábado, 05/02/05: Santana de Parnaíba – Pirapora do Bom Jesus – Cabreúva – ItuFomos os últimos bikers a sair (e assim seria em todos os outros dias) da pousada. Fomos para o Casarão em Pirapora, pegamos o segundo carimbo. No caminho, passamos pelo rio Tietê, cheio de espuma e dejetos.
Partimos pro Camping, em Cabreúva, um lugar gostoso para descansar, com almoço farto. O Rê estava meio febril, talvez pelo calor e cansaço. Após uma dipirona e um cochilo, acordou renovado. Saímos por uma subida chata, quente e longa pelo asfalto.
 Limoeiro – é um armazém em Itu, no meio do caminho, na zona rural, que dá a impressão de se voltar no tempo, uns 40 anos atrás. Além da estrutura, de tijolo com portas e janelas azuis, seu interior também era muito curioso. Lá se vende de tudo um pouco e sua especialidade imperdível é o famoso pão com mortadela, muito gostoso! As senhoras que nos atenderam eram muito simpáticas, falavam com orgulho do Caminho e até colocaram o hino pra gente escutar (e cantar!). Assinamos o livro de visitas, proseamos e continuamos até chegar na Cana Verde.
 Cana Verde – esse era um lugar de contrastes. Antes de iniciar o Caminho, já ouvimos falar daqui. É um hotel-fazenda grã-fino, com cavalos, jóqueis a caráter, recepção fina, com sofá de couro e uma comida muito bem preparada (estilo hotel, mesmo). Porém, o alojamento para os caminhantes foi o mais abandonado em que ficamos. Dava a impressão de que eles não nos queriam ali, que nos abrigavam fazendo algum favor. Não é pela simplicidade do local, de maneira nenhuma reclamaríamos disso, mas é pela falta de cuidados. No alojamento tinha até caixa de marimbondo no quarto, torneira vazando água, chão sujo, banheiro minúsculo, sem luz e sem papel higiênico. Pecou pelo desleixo!
Domingo, 06/02/05: Itu – Elias Fausto – CapivariPassamos na Fazendo Vesúvio para mais um carimbo, onde tinha um delicioso cheiro de comida (e pode ser local para pernoite também), uma lagoa e muitas árvores. Seguimos adiante até encontrarmos umas mangueiras enormes, que além da sombra, estavam carregadas de mangas maduras. Paramos para um lanchinho e umas fotos com a boca amarela e fiapos entre os dentes. O dono da fazenda nos flagrou ali! Sorte que ele não estava armado, senão, pelo menos um tiro de sal a gente ia levar! Ele foi lá conferir o que estávamos fazendo, pois ultimamente havia muito ladrão de milho por ali. Mas éramos apenas uns bikers mortos de fome... Seguimos caminho com muito sol, por áreas de plantação de milho, com quase nada de sombra.
 Casa do Serra (Elias Fausto) - O Sr. Serra nos recebeu em sua casa, junto com a família, para uma comidinha caseira, com direito a refri geladinho e descanso na varanda. Fomos muito bem recebidos! Saímos em seguida, ainda com muito sol e subidas pelo canavial (subidas pavorosas!)
Fazenda Milhã (Capivari) – lugar muito bonito e aconchegante. Quem cuidava da fazenda eram mãe e filha, muito carinhosas com os viajantes. Aqui um exemplo de que simplicidade não precisa ser sinônimo de desleixo. O alojamento dos viajantes era um quartão com beliches, com roupas de cama colocadas com capricho, banheiro e quarto limpos e bem arejados e recepção melhor ainda. A filha levou a gente pra ver o jardim japonês que ela havia feito. No jantar, no casarão de cerca de 100 anos, acabou a força, daí improvisaram luz de velas, que deu mais charme ao local, que é lindamente preservado, com paredes espessas, portas bem altas e mesas compridas de madeira pesada.
 Segunda, 07/02/05: Capivari – Mombuca - PiracicabaO Rê começou o dia de hoje com dor de barriga, estava com cólicas, que melhorou após um Buscopam. Pelo caminho, paramos na chácara da Família Bianchin, que deixava uma mesinha com torradas, doces caseiors e refri para os viajantes. Que delícia!
Saindo de lá, percorremos um bom trecho num canavial chato, com pouca sinalização e algumas placas caídas. Estava um sol de rachar, e pra ajudar, nos perdemos por 1 hora! A água estava acabando e não tinha uma arvorezinha para esfriar o corpo. Me deu um desespero! Enquanto isso, continuamos procurando a saída. Encontramos um caminhão de bóias-frias - era como se estivéssemos vendo um oásis!! Eles nos deram informações e conseguimos achar a saída: uma descida enorme ao lado de um parreiral, pra descansar as pernas, os olhos e esfriar o radiador.
 A partir daí, havia 2 opções de caminho: pelo asfalto ou pelo canavial de novo. Cansados de ficar perdidos, optamos pela primeira. Daí era quase só descida ou plano pela estrada. O Rê quase atropelou um cachorro a 60 km/h. Fomos para o Recando Araponga, uma escola. Almoçamos e descansamos, mas por mim, ficava mais um pouquinho, pois a manhã havia judiado muito e eu continuava cansada.
Seguimos para Piracicaba e o percurso da tarde foi um dos mais bonitos, em área rural, vacas no pasto, morros de formas variadas, com vista linda e direito a pôr-do-sol. Furou o pneu do Rê numa descida. No caminho, paramos no Bar do Zezinho – outra viagem no tempo. Desta vez, viagem para nossa infância, no tempo que passávamos os finais de semana na casa das nossas avós e ganhávamos umas moedas pra gastar com doces no bar da esquina (não adiantava guardar dinheiro, pois a inflação comia tudo em menos de 1 mês). Veja nossa lista de compras: 1 paçoca, 1 pé-de-moleque, 1 suspiro (com bolinhas prateadas em cima). Renovadas as energias, fomos para a Pousada da Adriana, chegamos à noite.
 Pousada da Adriana (Piracicaba): jantar delicioso, numa mesa comprida. Jantamos todos juntos: Grupo dos Meninos, Grupo das Meninas e O Casal + Um. Tinha um purê com carne moída que era um presente divino pra biker faminto !! O local tem luz fraca e pouca água no chuveiro (aviso pra não desperdiçar). Terça, 08/02/05: Piracicaba – Águas de São PedroÚltimo dia!! Começamos o dia até felizes e mais cansados do que nunca! Acho que por ser o último dia, a gente se dá ao luxo de admitir que está cansado, com dor na perna, na bunda...!
Numa descida com pedras, o Zé escorregou, caiu e ralou o joelho. Um tempo depois, foi meu pneu furou, devido a cacos de vidro no chão. Foi muito asfalto e depois muito canavial, o dia muito quente. Subimos bastante até achar uma árvore isolada, a partir daí, a subida acaba e é só alegria! Só plano e Águas de São Pedro ia se aproximando. Fizemos uma parada no restaurante do Gaúcho para almoçar um PF caprichado! Achei que o prato era de pedreiro, mas comi tudinho!
Águas de São Pedro !!!! Eba !! é emocionante chegar! O ponto final é a Casa de Santiago. Quem chega tem que tocar o sino! Tivemos uma recepção calorosa juntamente com os demais bikers e cada um falou da sua experiência pelo Caminho. Foi uma experiência única, muito rica! Exercitamos nosso companheirismo e aprendemos com a simplicidade das pessoas que conhecemos pelo caminho.

Vi num site esta frase, que diz muito:
"A mochila é uma verdadeira lição de humildade. Nela você só leva o que realmente precisa, e nessa hora percebe que há muita coisa desnecessária na vida".
Distâncias:1) Santana de Parnaíba a Pirapora - 11,5 Km 2) Pirapora a Cabreuva- 24 Km 3) Cabreuva a Faz. Cana Verde - 26 Km 4) Faz. Cana Verde a Faz. Vesúvio -15 Km 5) Faz. Vesúvio a Elias Fausto - 23 Km 6) Elias Fausto a Faz. Milha (Capivari) - 21 Km 7) Faz. Milha a Mombuca - 18,3 Km 8) Mombuca a Arapongas - 22,8 Km 9) Monte Branco a Ártemis (distrito de Piracicaba) - 29 km 10) Ártemis a Águas de São Pedro -18 km Total: 231.6KM
Mais detalhes sobre outras distâncias e tempo percorrido, veja no tracklog do GPS: (abaixo) Faça download do tracklog no link Tracklog Caminho do Sol (formato .gtm Trackmaker) Veja as fotos no link http://www.flickr.com/photos/renato_galani/sets/72157594316097287/ |