Estrada Real - Fevereiro de 2006 E-mail
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Foi nossa segunda cicloviagem, o trecho que percorremos compreende parte do caminho utilizado na época do Brasil Colônia para transportar para Portugal o ouro extraído do país. Existem diversas variações do caminho, porém existem três partes principais: Caminho do Diamante (Diamantina - Ouro Preto) / Caminho Velho (Ouro Preto - Paraty) / Caminho Novo (Ouro Preto - Rio de Janeiro).

OURO PRETO – CARRANCAS
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O GRUPO

Hugo Costa, 30 anos, Analista de Sistemas, no grupo foi um dos fotógrafos, pechinchador e negociante;

Marianna Mellone de Camargo Galani, 31 anos, Ginecologista-Obstetra, foi ‘repórter’ com seu gravador tabajara, narradora desta história, fotógrafa, responsável pela logística, compra de passagens e reserva de pousadas, lanterninha do grupo;

Renato Giraud Galani, 34 anos, Gerente de Qualidade em informática, navegador, dono do GPS, responsável por planilhas, estatísticas, mapas e outros recursos da informática;

Soninha Sampaio, 31 anos, profa. de Educação Física, “animadora de torcida” e coelho-bike (ia na frente pra empolgar a galera!)

Moramos em Campinas e formamos uma equipe de corrida de aventura, a Latitude 4o.

E-MAILS:

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ANTES DA VIAGEM COMEÇAR...


Como surgiu a idéia:

No carnaval de 2005 eu (Marianna) e o Renato fizemos nossa primeira cicloviagem. Foi pelo Caminho do Sol, no interior de SP e adoramos! Mal terminamos esta viagem e estávamos imaginando qual seria a do ano seguinte.

No final de 2005 o Renato descobriu uma fratura por stress nas tíbias de tanto correr e teve que ficar de repouso das corridas. Já que ele não consegue ficar parado (ainda bem!!) investimos na bike e começamos a pedalar quase todos os finais de semana, por 2 a 6 horas, aulas de spinning umas 2x/semana na academia, e musculação pras pernas. Porém, sem muito rigor com isso, pois tinha semana que não dava pra treinar direito. Só no mês que antecedeu a viagem, intensificamos as atividades. Chegamos ao carnaval bem preparados (mesmo assim eu ficava pra trás em todas!!).

Viajar de bike parece ser coisa de maluco, ou de gente super marombada, mas não é bem assim. Nenhum de nós, exceto a Soninha, trabalha com esporte. Nosso dia a dia é trabalhar em escritório e consultório, andar de carro, (só a Soninha que tem um carro de 2 rodas, marca Caloi), ar condicionado, respirar poluição... Pedalamos como hobby, pra ficar mais saudáveis, pra poder viver mais anos com saúde e pra poder beber mais cerveja no final de semana (no caso do Hugo). Um bom condicionamento físico, pouca frescura, pouco dinheiro e coragem, dá pra sair por aí pedalando.
 

O Grupo:

Decidido o local da viagem, mandamos e-mail pra um monte de gente, pra umas 15 pessoas pelo menos, como no ano passado. No fim das contas, muito pouca gente acaba indo e mais uma porção fica achando que a gente é doido.

 

Planejamento:

Distribuímos as tarefas entre os integrantes, pesquisamos alguns sites e relatos de pessoas que conheceram a Estrada Real, o Renato conseguiu um tracklog pro GPS e os mapas. Eu me encarreguei das passagens e pousadas.

Não reservamos pousada antes porque talvez precisássemos mudar algo no roteiro, como na verdade aconteceu, mas tínhamos uma lista de vários locais para comer e dormir em diversas cidades que passamos (temos essa lista, caso alguém precise). Não houve problemas com isso, ainda mais em Minas, sempre há alguma boa alma pra acolher bikers desabrigados.

Das passagens, compramos antecipado apenas a Campinas- BH (viação Cometa), mas devíamos ter comprado a BH-Ouro Preto (Viação Pássaro Marrom) também. Na volta de Carrancas pra Lavras, melhor pegar o bus das 6:15h pra não ficar muito tempo na rodoviária. Bus de Lavras pra Campinas ou São Paulo, é pela viação Gardênia.
 

Transporte das bikes:

A viação Cometa pediu que embrulhássemos em lona pra não danificar outras bagagens. Tiramos as rodas da frente e embrulhamos tudo. Não tivemos problema com nenhum motorista de ônibus em toda a viagem.
 

O que comer:

Quanto mais carboidrato, melhor! Normalmente não carregamos muita comida, pois nesta viagem não ficamos muito tempo longe da civilização. Sempre há alguma cidadezinha ou bar na beira da estrada para um lanchinho e para hidratação, com exceção do percurso Capela do Saco – Carrancas.

O ideal é consumir bastante carboidrato antes das pedaladas e durante, proteína precisamos de muito pouco. E hidratação, sem dúvida o mais importante, deve ser em torno de 500ml por hora e em dias muito quentes o isotônico é mais recomendado. Quando terminar a pedalada, alimente-se com bastante carboidrato (massa, arroz, feijão, pão, doces...) em até 2 horas para que a reposição muscular de glicogênio seja a mais eficiente possível e no dia seguinte não fique fadigado demais. E pode comer que não vai engordar!

Mais informações sobre nutrição e hidratação em esporte no site: www.gssi.com.br . Ou então escreva pra gente que fornecemos mais detalhes.

O que levar:

Primeiro de tudo lembrar que economia de mala é palavra mestra! É vc quem vai carregar! Se levar demais, vai sofrer com o peso. Mas tenho que confessar que em Tiradentes já estava me sentindo muito mulamba, senti falta de uma roupa mais bonitinha e de um batonzinho. Abaixo a lista do que levamos, os itens em azul eram o kit individual de cada cicloturista:

2 bermudas bike

 

Óculos escuros

2 camisetas dry fit

Óculos grau

1 segunda pele

Luva bike

1 par tênis

Capacete

1 chinelo

Farol bike

1 calça suplex

Strobo

3 cuecas/calcinhas

Pilhas recarregáveis

3 pares meia

2 caramanholas

1 camiseta algodão

 

1 anorak (corta-vento)

vaselina

1 shorts dormir

filtro solar

1 toalha pequena

prendedor roupa

 

papel higiênico

1 saca-pinos

14 isotônicos

1 chave Alien

Sabonete líquido

1 câmera / pessoa

shampoo

trechos corrente

condicionador

alicate

bucha

bomba

hidratante

elásticos (prender bagagem)

escova dente

kit reparo pneu

pasta dente

lona p/embrulhar bike no bus

fio dental

fita crepe

absorvente

Sacos Zip Lock

pílula

Sacos Supermercado (proteger as roupas de chuva)

desodorante

 

hidroesteril

GPS (60C Garmin)

antiinflamatório

Bússola

buscopam

Ciclo computador

analgésico/antitérmico

Mapas topográficos

emplasto Sabiá

Dicas locais

pomada antiinflamatória

Gravador voz

pomada anestésica

Caneta

 

Maq. Fotográfica

Passagens bus

Carregador pilha

Livrinho literatur


DIÁRIO DE BORDO

Sexta 24/02/06:

Pegamos um ônibus da Cometa em Campinas às 21:15h. Embrulhamos as bicis com lonas pretas na rodoviária mesmo (era exigência da viação). Não houve problemas com o motorista ou a com a viação, mas um passageiro que estava lá esperando implicou porque estávamos ‘atrapalhando’ a passagem dos outros viajantes. Nem o segurança deu muita trela pra ele, e além do que, ganhamos a simpatia de muita gente que estava curiosa vendo o que fazíamos, riram do sujeito e até nos deram razão.

Passagem Campinas- BH: R$ 62,00. Tempo de viagem: 7:30h
 

Sábado 25/02/06:

BELO HORIZONTE: Chegando de madruga em BH, não tinha mais passagem pra Ouro Preto pro dia todo. Tudo esgotado! Também, era sábado de carnaval, parece que metade da população brasileira e solteira queria ir pra Ouro Preto! Porém o Hugo (nosso encarregado de pechinchas e negócios afins) conseguiu fretar uma Kombi que nos levou, a R$ 30,00/pessoa. Uma dica: chegando na rodoviária, vc pode ir de bus, vans cadastradas ou vans clandestinas (foi o nosso caso) para Ouro Preto ou Diamantina, basta dar uma olhada nas ruas laterais da rodoviária, que sempre tem alguém fazendo propaganda aos gritos.
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OURO PRETO: desembrulhamos as bikes. Tonico Jones é voluntário da limpeza e foi prosear com a gente (cantou até uma musiquinha de autoria própria). A cidade já estava cheia pelo carnaval, gente dormindo na rua, bêbados que não tinham ido dormir e cheiro de xixi. Tomamos café da manhã numa padaria e a maior dificuldade foi encontrar um banheiro pra trocar de roupa. Precisamos pagar num bar R$ 0,50/pessoa (e ainda queriam cobrar mais caro!). Começamos a pedalar às 8:50h.

Seguimos para Ouro Branco. Um dos dias mais cansativos pela topografia, subir e descer 2 serras não é pra qualquer perna! estrada de asfalto bom, mas sem acostamento. Boa parte da estrada com muitos pés de morangos silvestres carregados (nunca vi tantos!!). Saldo: 1 corrente minha quebrada. Paramos pra tomar suco num bar no caminho, conhecemos Rafael, moço muito cheio de prosa que nos ofereceu um almoço na casa dos seus pais em Conselheiro Lafaiete (mas não pudemos ir).
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OURO BRANCO: chegamos às 13h, almoçamos em restaurante em frente à praça, custou R$ 26,00 pra todos, com comida caseira e refris. Havíamos planejado parar aqui para dormir, mas chegamos cedo e bem dispostos. Demos uma cochilada na praça e seguimos (às 15:20h) pra Conselheiro Lafaiete. Uma topografia muito suave, se comparada com a primeira parte da viagem.
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CONSELHEIRO LAFAIETE: chegamos às 17:30, ficamos no Hotel Lafaiete, não tinha mais apto, só quartos, que custavam R$ 25,00/casal + café. Quarto ruinzinho (empoeirado, cheiro de mofo, sem TV num dos quartos,...), mas os outros hotéis que vimos ficavam no centro da muvuca de carnaval. Conhecemos o Juliano, um biker gente boa que morava na cidade. Ele nos abordou e quis pedalar com a gente no dia seguinte. Um biker a mais é sempre bem vindo!

Janta de pizza com sucos de laranja: R$ 52,00 para todos.

Altimetria:
Total de 53 km percorridos no dia

Domingo 26/02/06:

Até Queluzito e Casa Grande, percurso pouco acidentado, estrada boa de asfalto, sem acostamento.

QUELUZITO: (Saímos de Lafaiete às 9:50 chegada às 11:30 em Queluzito) paradinha rápida pra comer doce. Cidade bem pequena e bem cuidada. A igreja matriz com um jardim bonito.
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CASA GRANDE: (chegada às 12:40h, pausa de 2 horas para almoço) o Juliano veio até aqui com a gente e depois voltou. Almoço no Restaurante e Pousada da D. Inês e do Zé, comida caseira e farta (R$ 26,00 pra todos). Para encontrar, é só perguntar que todo mundo sabe onde fica. Conhecemos o Mike, um menino de 12 anos que morava na cidade e precisava de mais R$ 3,00 para comprar uma máscara de bruxa para o carnaval. Saímos em direção a Lagoa Dourada, pegamos estrada de terra por quase todo o percurso e duas pancadas de chuva, daquelas que o vento venta pra tudo que é lado! chegamos com lama dos pés à cabeça. Minha corrente quebrou pela 2a vez, mas dessa vez o conserto ficou ótimo! O trecho final é de asfalto e mais um “tirinho” já chegamos.
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LAGOA DOURADA: (chegada às 18:30h)A cidade era carnaval em todas as ruas. Morrendo de fome, comemos churros de doce de leite, que parecia não ter comida melhor. Dormimos no Hotel Glória, em quarto (ou seja, sem banheiro no quarto. Quando falam apartamento, é quarto com banheiro), R$ 24,00/casal com café. Jantar no Tremendão: R$ 8,00/pessoa, muito barato, mas não é um lugar bonito. Vimos vários restaurantes mineiros na saída pra São João Del Rey.

Altimetria:
Total de 57 km percorridos no dia
 

Segunda 27/02/06:

Saímos de Lagoa às 10:10, às 11:20 estávamos na entrada para Prados, mas não seguimos por esta cidade e sim para São João Del Rey, onde chegamos às 12:10h.

SÃO JOÃO DEL REY: o caminho para lá tem uma serra muito bonita nos primeiros 15 km, muitas decidas, topografia suave, poucas subidas. Depois é planície até a cidade (planície em MG existe !!!). Decidimos ir pra Tiradentes via SJDR por ter topografia plana, ao invés de passar por Prados, que tem uma baita serra pra atravessar para chegar em Tiradentes.

De SJDR (saída às 12:10) pra Tiradentes (chegamos às 13:30): uma estradinha interessante, plana, com paralelepípedos, cachoeira no meio do caminho e com cara de Estrada Real original, mesmo.
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TIRADENTES: A cidade estava cheia e linda como sempre. Ficamos na pousada Bárbara Heliodora, da Dona Dora, R$ 100,00/casal. Eu havia feito contato com ela por telefone e não tinha dito que chegaríamos de bike. Chegando na frente da pousada, alguém falou “olha a Dona Dora ali na esquina!”. Ela veio andando, com uma cara de maracujá murcho, olhando torto e devia pensar algo como “Ai, meu santo! quem serão esses esquisitões mal trapilhos na minha pousada?”. Proseamos um pouco e a cara de maracujá se alisou, ela percebeu logo que éramos bonzinhos!

Chegamos na hora do almoço e aqui se iniciava nosso “Morg’s Day” (dia de morgação) .Almoço no Boi Uai. Carnaval com muvuca, mas com apenas 20% de pessoas do carnaval anterior. Para tentar resgatar o carnaval tradicional de marchinhas, o pessoal da cidade decidiu nem fazer propaganda do carnaval. Ainda assim havia arruaceiros pelas ruas e segundo comentário do pessoal local, houve problemas com turistas baderneiros em anos anteriores. Nesta noite, não jantamos, fomos ver o carnaval da praça, comemos uns lanchinhos e tomamos umas biritas (bem poucas!)

Altimetria:
Total de 41 km percorridos no dia
 

Terça 28/02/06:

Continuação do Morg’s Day... Visita a SJDR via bus. Almoço rodízio no Ramon, R$ 76,00 pra todos, restaurante feio e calorento, comida mais ou menos e cara. A cidade tem construções históricas grandes, mas não tem muito o que ficar fazendo lá um dia inteiro, uma manhã foi suficiente para a visita. Votamos pra Tiradentes de trem, R$ 12,00/ pessoa somente ida. Percebemos uma pequena trilha margeando o trilho e decidimos voltar amanhã por ela. O trem é imperdível! Muito legal!
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Esta noite metade da nossa caravana, o Hugo e a Soninha, voltou pra casa. Pegaram bus em SJDR para Campinas (mas dizem que não compensa ir de SJDR pra Campinas, melhor pegar pra São Paulo, pois o bus vai direto). Ficamos sem nossos companheiros, mas eu continuei muito bem acompanhada!

Jantar: R$ 34,00 Ma + Re, pizza com suco.

Mais uma noite na pousada da D. Dora.

 

Quarta 01/03/06:

Tiradentes (saímos às 9h) pra SJDR (chegamos às 10:10h pela trilhinha que margeia o trilho do trem, bem plana, mais legal que a estrada de paralelepípedo, tem 8 km.
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SÃO SEBASTIÃO DA VITÓRIA: para chegar lá passamos por asfalto ruim, com buracos, entramos numa vila chamada “Rio das Mortes” e seguimos um trecho por estrada de terra e outro bem pesado por dentro de uma fazenda. Este caminho estava no tracklog que tínhamos, mas não é bom para pedalar, precisamos carregar a bici algumas vezes, fizemos 7,5 km em 1h20. Depois veio o asfalto e chegamos em Vitória às 12:50. Almoçamos no “Ponto Real” (lanches, vários sucos, goiabinhas = R$ 18,00). Seguimos à tarde com muito sol para Caquende, com diversos “mata-bikers” pelo caminho. Foram 20 km de terra.
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Glossário: “mata-biker” é o mesmo que “mata-burro”, depende de quem vê - ou de quem cai. São feitos de trilhos de metal paralelos à estrada, pra uma roda entrar não custa muito. O Renato caiu duas vezes - no “mata-biker”.
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CAQUENDE é minúscula e assim como a Capela do Saco, pertence a Carrancas. Pegamos a balsa (funciona das 7-18h diariamente) e fomos pra CAPELA DO SACO (chegamos 16:30). Ficamos na Pousada Reis (fone: (32)-3331-0892), R$ 15,00/pessoa, sem café da manhã, tem área comum para churrasco e com muuuitos pernilongos no quarto. Acordamos tarde da noite com calor e pernilongos famintos, sem inseticida. Saímos pra andar pela vila, chamando em várias casas para conseguir algo que matassem esses insetos canalhas, conseguimos um fósforo e uma vela, queimamos alguns papéis no quarto e resolveu nosso problema (nossa noite de Magaiver!)
 
Lanche da tarde, jantar e café da manhã foram no Bar do Pinguinha, servidos pela Fátima e seu cachorro Boni. Chegamos numa calmaria pós carnaval, quase sem turistas na vila. A Fátima praticamente não tinha mais nada em estoque, mas com capricho nos preparou as refeições. No jantar foi arroz, feijão, macarrão e peixe ensopado muito gostosos! Café da manhã com pão caseiro, vitamina de frutas, leite, misto quente,...

Altimetria:
Total de 62 km percorridos no dia
 

Quinta 02/03/06:

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Capela do Saco (saímos às 10:20) – Carrancas (chegamos às 16:40h): Foi o dia mais difícil! muitas subidas, inclusive de uma serra que assusta só de olhar de longe. Existe a opção de ir pelo asfalto após um trecho de estrada de terra, mas preferimos ir por Cruz das Almas, que dizem ser da Estrada Real original. São muitas estradinhas que se cruzam, pouca sinalização e só terra. Alguns trechos seguimos o tracklog que tínhamos no GPS e entramos em trilhas pequenas, por dentro de fazenda, que, para quem faz de bici, não vale a pena, porque mais se empurra do que pedala. Grande parte do trecho com calor e sem encontrar água, então, já saia bem abastecido de água da Capela do Saco. A primeira água era bem suja, mas depois do meio da viagem, havia muitos trechos de água potável e abundante. Chegamos ao pé da serra às 14:40, havia muito cascalho, areia, difícil pedalar, empurramos todo o trecho. O topo da serra (chegada às 16h)é muito lindo, mas começaram a formar nuvens carregadas e nos lembramos de um cicloturista que contou que pessoas morreram eletrocutadas ali, por isso o nome de Cruz das Almas (mas cruz só encontramos duas). A descida foi suave. Não dava pra acreditar que era verdade!!
 
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CARRANCAS: cidade muito gostosa e rica em natureza. Merece uma parada longa , pois tem muitas cachoeiras e belezas naturais pra ver. Ficamos na pousada Candeias, limpa, nova, bonita, rústica, a melhor que ficamos nesta viagem. O dono se chama Alexandre, R$ 50,00/casal (após pechinchar, o normal é R$ 60,00), gostoso café da manhã, tem lareira, rede e bar. Tomamos café da tarde (experimente o bolo de brigadeiro!) e jantamos num bar-restaurante-padaria chamado Adobe (um tipo de tijolo artesanal, feito de argila, areia e fibra vegetal, segundo o proprietário Roberto, que se parece com o Ermeto Pascoal, nos explicou). O lugar é uma belezinha!! Tudo artesanal! Janta: R$ 24,00/casal, muito gostoso e caprichado, com direito a pinguinha de entrada.
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Altimetria:
Total de 28 km percorridos no dia

 

Sexta 02/03/06:

Ainda em Carrancas. “Almoço”: lanches, suco, broinha na Vó Inhazinha, R$ 5,00/pessoa.
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À tarde fomos à pé pra Cachoeira da Fumaça, 12 km andando (ida e volta). São duas cachoeiras ,uma delas poluída. A limpa dá pra fazer uma trilha até o topo e nadar num riozinho no alto.

Café da tarde no Adobe: R$ 20,00 (misto, bolo de coco, doce de leite, caldinho de mandioquinha)

Janta: truta no molho branco e outra com alcaparras por R$ 24,00 pros dois.

O bom de viajar de bici ou a pé é que a gente pode comer um monte e não ter peso na consciência! Um monte de carboidratos maravilhosos (mnhan mnham mnham.... macarrão, comida mineira, bolo, doce de leite, rocambole...), e saber que seu corpo está precisando e gostando e que não vai transformar essas delícias em gordura! Para cicloviajantes, o posto de gasolina é a padaria.
 

Sábado 03/03/06:

Ônibus de Carrancas pra Lavras (não tem rodoviária, o bus pára na frente da igreja) às 6:15h e às 12h. Nos disseram que havia bus Lavras-Campinas às 15h, mas não tinha. Chegamos em Lavras às 13h e daí foi outra novela, só tinha bus pra Campinas ou São Paulo às 23h. Ia ser muita tortura ficar 10 horas sem fazer nada, daí decidimos fazer uma peregrinação por mais cidades mineiras. Pegamos bus pra Varginha, esperamos mais um montão, outro bus pra Campinas com baldeação em Alfenas. Daí pudemos seguir sossegados. No total foram 4 ônibus em 19 horas de viagem!!! E muita espera! Chegamos em Campinas domingo cedinho, paramos na estrada e entramos no nosso condomínio de bici, com cara de sono, cansados, e vitoriosos!!! EEEEEba !!!

Terminar a viagem é outra coisa muito boa! Tem que fazer pra ver como é! Dá uma sensação de missão cumprida, de vc ter se dado uma viagem de presente, de ter conhecido um monte de lugares e de pessoas de forma saudável e barata e de ter se locomovido pelas suas próprias pernas.

Em suma... você precisa viajar de bici um dia !!

Faça download do tracklog no link Tracklog Estrada Real (formato .gtm Trackmaker)

Veja as fotos no link http://www.flickr.com/photos/renato_galani/sets/72157594302744555/